VOCÊ SOFRE DA SÍNDROME DA MULHER MARAVILHA? - Nala Rizzo - Psicóloga

Ao pararmos para conversar em qualquer pequeno grupo em que tenha mulheres, seja num café ou numa sala de espera, escutaremos com frequência as mesmas queixas femininas, a respeito da sobrecarrega, do estresse e da falta de tempo nos dias atuais.Se fizermos uma conta rápida, o nosso dia tem 24 horas e se considerarmos que deveríamos dormir em torno de 8 horas, nos restam apenas 16 horas para trabalhar, cuidar da gestão do lar, incluindo as idas ao mercado, cuidado maternos, com momentos de qualidade, afeto, presença, questões escolares,  trocas com seu companheiro, momentos a dois, cuidado com os mais velhos, os pais que já são idosos e agora demandam mais atenção, cuidado com seu animalzinho de estimação, afinal ele está ali sempre ansioso com a sua chegada, cuidado consigo mesma, tempo para uma terapia, academia, cabeleireiro, alimentar um pouco o lado espiritual, ter sua individualidade e lazer preservado com um momento para rever as amigas, além de cuidar do trabalho/negócio e todo o resto que isso envolve. Ufa! Se você age como se pudesse e tivesse que dar conta disso tudo continuamente e sem falhas, ou seja, com perfeição. E quando isso não acontece (é humanamente impossível mesmo), você se sente extremamente frustrada, gerando então,  a Síndrome da Mulher Maravilha. 

A sociedade moderna nos estimula cada vez mais, a produzir, produzir, consumir e cada vez mais produzir e consumir. Culturalmente falando, nós mulheres passamos a “produzir”(capital) muito recentemente, tendo em vista que vivemos por muito tempo numa sociedade patriarcal e o lugar da mulher era exclusivamente o de servir aos homens (pai e marido), ou seja, cuidar da família apenas (não que isso fosse pouca coisa, mas queríamos mais). Enquanto o homem era o provedor, a mulher tinha que dar conta de todo o resto desse trabalho, que além de não ser remunerado(até hoje, infelizmente), é  invisível para a sociedade. 

Assim, a partir das lutas feministas começamos a reivindicar e a garantir alguns dos nossos direitos e resumidamente falando, fomos aos poucos nos inserindo no mercado de trabalho. Este novo cenário de inserção profissional da mulher em busca de sua autonomia e independência financeira, fez com que as mulheres acumulassem a cada dia, mais funções, quer dizer, além das atribuições de cuidados familiares e maternais, historicamente, foram somadas a isso, outras tarefas, como as ligadas ao desejo de realização profissional, tendo também agora, a mulher que se envolver com metas, competitividade, empreendedorismo e necessidade de aperfeiçoamento e crescimento profissional constante. Se por um lado (sem dúvidas) isso é uma conquista muito importante, por outro, a forma como tem sido conduzido, tem levado muitas mulheres a um nível de estresse e esgotamento que traz consequências graves na saúde física e mental. 

Apesar das mulheres terem como característica a habilidade para lidar com suas multitarefas, a cobrança (externa e interna) se expande e massacra cada vez mais emocionalmente muitas mulheres. 

Um dado importante que devemos refletir é que em parte, essa crítica e cobrança também vêm de outras tantas mulheres que além de se cobrarem, também cobram umas das outras. É uma enxurrada de cobranças e autocobranças por todo lado, que reforça um ideal de perfeição inatingível e “adoecedor”, nos estimulando a querer ser perfeitas, autossuficientes e a dar conta de tudo o tempo todo, mas será que isso é humanamente possível?

Na síndrome da Mulher Maravilha, a mulher quer resolver todos os problemas e dar conta de tudo, agindo como se tivesse “superpoderes”. Esse comportamento afeta principalmente quem possui uma tendência a controlar, cuidar de tudo e a se doar demais, características muito presentes em mulheres ansiosas. Esse comportamento pode gerar muito sofrimento e frustração e até desenvolver um quadro de transtorno mental.

Semanalmente, recebo e acolho em meu consultório mulheres que relatam como queixa principal um alto nível de esgotamento físico e mental e um aumento da ansiedade, apresentando também normalmente uma baixa autoestima e se sentindo muito fragilizadas. Muitas chegam encaminhadas pelos seus médicos já com sintomas de adoecimento mental e os quadros mais comuns são: Ansiedade, Síndrome do Pânico, Síndrome de Burnout e Depressão.

É muito importante que perceba os próprios limites, observe se esse ritmo de trabalho, de vida em que está inserida está saudável ou não, se está despertando em você sentimentos negativos, se está trazendo algum tipo de prejuízo nos seus relacionamentos, e caso esteja em sofrimento, procure o quanto antes uma ajuda especializada, uma avaliação psicológica. A psicoterapia além de ser um espaço de cuidado, pode lhe fornecer recursos para lidar com suas dificuldades emocionais.

Nala Rizzo G. Alexandre
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Atendimento Presencial e Online
Foco em Ansiedade
CRP:05/35288